“Aliança das empresas com o poder político foi incapaz de estancar a sangria”

Diante da incapacidade de Michel Temer e seu grupo político de “estancar a sangria” provocada pela Operação Lava Jato, o setor produtivo brasileiro decidiu romper sua aliança com a classe política. Esta é a análise que faz o cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), sobre o vazamento da delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Temer foi gravado dando aval a Batista para a compra do silêncio do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A gravação foi feita em ação conjunta da Polícia Federal com a Procuradoria-Geral da República. Para Marchetti, o que está em curso pode ser um novo pacto, desta vez entre os agentes econômicos e o Judiciário.

Nesse cenário, diz o professor, o mais provável é que o “PIB” busque novos parceiros para a concretização das reformas impopulares em curso, como a da Previdência. “O principal indício disso, o mais emblemático, é a reunião da ministra Cármen Lúcia com uma parte do PIB, feita recentemente”, afirma Marchetti.

O cientista político se refere ao encontro da presidenta do Supremo Tribunal Federal (STF) com um grupo de 13 empresários: Carlos Schroder (diretor-geral da Rede Globo), Candido Bracher (presidente do Itaú Unibanco), Flavio Rocha (dono das lojas Riachuelo), Chieko Aoki (presidente da rede Blue Tree Hotels), Luiza Helena Trajano (dona do Magazine Luiza), Paulo Kakinoff (presidente da Gol Linhas Aéreas), Pedro Wongtschowski (empresário do grupo Ultra, dono da rede Ipiranga), Rubens Menin (dono da construtora MRV), Wilson Ferreira (presidente da Eletrobras), Walter Schalka (presidente da Suzano Papel e Celulose), Betania Tanure (consultora da BTA – Betania Tanure Associados), Décio da Silva (controlador da fabricante de motores Weg), e Jefferson de Paula (chefe da ArcelorMittal Aços Longos na América do Sul). A reunião, realizada no último dia 8, foi o segundo encontro do grupo e durou cerca de quatro horas.

 

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